terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Resenhas

Aguentem a onda que agora vou bancar o crítico musical.
Na minha última viagem comprei três discos que, num primeiro exame, não teriam muita coisa em comum. O primeiro adquirido, ainda em São Paulo, foi "Luz Negra", de Fernanda Takai. Não comprei o anterior, "Onde Brilhem os Olhos Teus". Aliás, achei mesmo que era esse que estava comprando. Não me arrependi, pois o disco é ótimo e o repertório, testado e ampliado, é igualmente muito bom. Fernanda escolheu uma banda básica e enxuta, mas composta de
multiinstrumentistas de primeiríssima linha, incluindo, claro, o maridão John Ulhôa. O disco traz algumas faixas de "Onde Brilhem Os Olhos Teus", e acrescenta outras ótimas. A versão em japonês para "O Barquinho" é um primor. Mantém o clima da canção original, mas a bateria nervosa dá uma modernizada no som. Tal arranjo não poderia ser feito por outra pessoa que não o versátil John Ulhôa, cérebro musical do genial Pato Fu.
"Ben", de Michael Jackson, poderia até ter soado meio oportunista, não fosse o fato de ela já ser cantada por Fernanda em shows e de o disco ter sido gravado antes da morte do cantor americano. "Debaixo dos Caracóis dos Seus Cabelos" por sua
vez amplia a redescoberta de Roberto Carlos por cantores/bandas b
rasileiros. Também dignas de menção são as inclusões de "There Must Be An Angel" e "Ordinary World", além é claro do chorinho "Odeon", que ganhou uma roupagem meio cabaré.
Durante a passagem por Paris, entrei numa loja da Virgin e encontrei o novo disco de Norah Jones, "The Fall". Para este disco, Norah dispensou a "Handsome Band" e começou do zero em busca de uma nova sonoridade. A voz suave ainda está lá, mas a pegada é muito mais pop. Norah, desta vez, faz mais uso de guitarras, e não se atém ao piano clássico, o que já havia feito no disco anterior. Usa e abusa do delicioso som de um Wurlitzer. Essa nova sonoridade tem tudo para dar certo, pois Norah tem versatilidade suficiente para isso.
Finalmente, já de partida para o Brasil, em Taipé, descobri Joanna Wang. Americana descoberta por produtor taiwanês, Joanna conquistou-o com seus talentos de cantora e compositora já aos 14 anos. A sonoridade é bluesy, com pitadas de jazz, voz doce e melancólica, mas muito sensual e passeia suficientemente pelos anos 60 e 70. Tikiville tem até pitadas de bossa nova.
O álbum traz ainda versões em chinês das músicas. O pacote traz dois discos, sendo que o segundo tem o título "The Adult Storybook" e o que aparenta ser o nome de uma banda, New Tokyo Terror. Não encontrei referências a essa banda na internet. Ambos são muito bons de se ouvir. Há ainda uma versão do álbum com um DVD.
Para fechar este post musical vou fazer propaganda de uma banda São José do Rio Preto. Recebi o disco de presente de um amigo e foi uma grata surpresa. Honestamente eu acho que pensaria duas vezes antes de comprar um disco de uma banda chamada Coletivo Iboruna. O som dos caras não tem nada de étnico, a não ser que se considere
afrobeat étnico. É soul, funk das antigas, muito metal e swing. Infelizmente eu acho que o disco deles não está disponível em lugar algum. Os caras têm uma página no MySpace, talvez os interessados devessem começar por lá. Vale a pena pois é muito divertido.
Para terminar, segue um link para o vídeo de "Tel Yer Mama", do novo disco de Norah Jones:


quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Con...fuso

Levei quatro dias para conseguir dormir uma noite normal de sono, após chegar a Hamamatsu. A diferença é de 11 horas, nesta época do ano, mas o pior é a viagem. Escolhemos ir pela Europa. Pessoalmente acho que não há deslocamento menos cruel. Não há rota possível que torne essa viagem mais palatável. A não ser que se durma uma noite (ou algumas horas, pelo menos) no meio do caminho.
Em seguida há o estranhamento com a comida. Para nós, café da manhã signifca pão, manteiga, queijo, etc. Para eles, arroz, peixe, e por aí afora. Para as refeições normais, tudo se normaliza. Ou quase.
Uma semana depois de chegar ao Japão e chegou a hora de ir para Taiwan. Tudo diferente, muito diferente. Os taiwaneses adoram o Japão. Mas a maioria não fala japonês. Existe uma Taipé moderna, de arranha-céus e ruas perfeitas. E logo ali do lado existe a outra, mais antiga, mais bagunçada, mais tradicional. Percebe-se, de cara, uma diferença brutal: o Japão é mais silencioso. Os japoneses fazem tudo mais silenciosamente. Quando fomos a Kyoto (objeto de outro post, mais tarde), tomamos o Shinkansen. Não se ouve nada além do ruído do funcionamento do trem.
Outra coisa que chama muito a atenção em Taipé são os scooters. Milhares deles. O que estou dizendo, podem facilmente ser milhões deles. Acho que se se abolissem os scooters aquele país pararia. Eles estão por toda parte, de todo tipo e modelo, pilotados por toda gente. De jovens a idosos, homens e mulheres. Normalmente com um ou dois passageiros. Às vezes mais.
Dizem que por ali se fala o chinês mais clássico. Chinês que, aparentemente, não se ensina mais nem na China. E a comida...bem, deve-se aplicar mais uma generosa dose de adaptação. A culinária chinesa que conhecemos e gostamos é muito simples e do nosso gosto. Os chineses raramente exportam o que é mais peculiar. Em alguns casos, graças a Deus. Caminhando um dia pela rua que levava do hotel para o escritório, passei por dois restaurantes - vamos chamá-los assim - e senti o que posso garantir foi o pior cheiro já exalado por uma cozinha. Vi uma mulher mexendo com algo que se parecia com uma pele de porco, mas não imaginava que aquilo pudesse estar exalando aquele odor. Descobri depois. O negócio chama-se "choutofu". Nada mais é do que tofu frito em imersão. São utilizados certos produtos químicos que ajudam na conservação do queijo. Ao contato com o óleo quente - este muito provavelmente velho como a própria Muralha - sobe um fedor indescritível. Por outro lado, há lugares que servem coisas maravilhosas como os dumplings cozidos no vapor, recheados com carne de porco, camarão e vegetais que são simplesmente incríveis. Carne de porco frita servida com arroz frito com ovo, por exemplo, absolutamente divina.
Bem, agora é lidar com o fuso da volta. A cabeça demora a processar as coisas, o organismo se recusa a funcionar direito, o sono está completamente torto. Mais alguns dias então. Tenho algumas fotos para mostrar e pretendo escrever um post sobre a visita a Kyoto. Até.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Japão e a arte de comer

Este post culinário não vai ter nome de prato algum.
E por uma razão muito simples: em Hamamatsu pouca gente ou quase ninguém fala inglês. Como o povo japonês não é de gesticular, a comunicação em um restaurante, por exemplo, fica restrita a apontar as coisas em cardápios e muitos, mas muitos acenos de cabeça.
Isso feito, pode-se apreciar bons pratos da maravilhosa culinária japonesa. E o preço foi outra surpresa pois, em três pessoas, pedimos entrada mais prato principal, dois drinques cada e a conta bateu em pouco menos de setenta dólares. A experiência conta mais que tudo. Desde tirar os sapatos na entrada e depositá-los num escaninho com tranca cuja "chave" é um pedaço de madeira com dois cortes na parte inferior (a tataravó da fechadura moderna, provavelmente), até a mesa instalada num recesso no piso, onde se chega simplesmente andando por cima dos assentos. Os cubículos são separados entre si por cortinas de madeira. Não há privacidade completa, porém suficiente para podermos nos concentrar na comida e na companhia, sem ligar para o que acontece na mesa do lado. A iluminação é sempre indireta e muito agradável.
No fim, uma noite extremamente agradável. Devo observar que, em uma semana, foi a primeira noite que pude dormir por quase oito horas seguidas. Life's good.
Panqueca de repolho com ovo, gengibre e molho yakitori (incrível)

Esse sopão aí contém ostras, cogumelos cujo nome já me esqueci, repolho e outros verdes

Esses rolinhos primavera são recheados com carne de porco picante e outra verdura qualquer

Sushi de ovas (não sei de quê)

O sashimi de salmão é servido numa "cama" de bambu, acompanhado de wasabi

Ostras empanadas servidas com molho e repolho fatiado

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Fuso horário, ou que dia é hoje mesmo?


Meio lugar comum ficar reclamando de fuso horário quando se viaja para muito longe. Hoje me lembro e acho a maior graça dos tempos em que morávamos no Mato Grosso do Sul e viajávamos para a casa de minha avó, no interior de São Paulo, que ficava "uma hora à frente"...Ah, ah, ah.
Digo isso porque estou 11 horas à frente do Brasil. Fuso extremo. O problema disso tudo é que, após dezenas de horas gastas dentro de um avião, outras tantas zanzando em aeroportos, a cabeça entende a diferença, mas o corpo não. O resultado disso foi que dormi demais na primeira noite (e perdi a hora do trabalho), e muito pouco na segunda. Perdi a hora no primeiro dia e perdi o sono no segundo.
Hoje a coisa foi ainda pior, pois consegui dormir, mas fui acordado por um colega à meia-noite. Not cool. Felizmente o tempo anda bom, ainda que um pouco frio.
O Japão é um paraíso de compras para quem quer o mais moderno e recente. Quem procura preço tem que olhar em outro canto. O país tem um custo de vida elevado e a recente crise não ajudou muito. Por aqui ouve-se conversas sobre fechamento de fábrica, gente que está desempregada desde março e por aí afora.

O que mais chama atenção neste país, na minha opinião, é a polidez de seu povo. tem-se a impressão de que o respeito ao próximo é objeto de lei. Nas ruas, mesmo em horário de rush, reina o silêncio. O voo de Paris para Tóquio foi o mais silencioso que me recordo ter feito. Todos entram, encontram seus lugares, colocam suas bagagens e não se tem a impressão de que uma manada de elefantes entrou no avião.
Causou-me estranheza, entretanto, o fato de quase ninguém falar inglês, numa cidade considerada industrial, ainda que estejamos falando de uma cidade do interior. Mas a experidência tem sido muito interessante. Quando eu me acertar com o fuso horário tenho certeza de que aproveitarei melhor. Mas aí já será hora de ir embora...
Acima, o amanhecer em Hamamatsu, da janela do meu hotel.

domingo, 22 de novembro de 2009

Gaijin

Estrangeiro. É assim que estou me sentindo. Ah, mas é normal, afinal de contas estou mesmo no exterior. Sim, verdade. Mas quando se é minoria a gente se sente ainda mais estrangeiro. Não fosse o povo japonês extremamente discreto e educado, acho que teria reações diferentes. O cansaço que essa viagem nos causa é algo monstruoso. O organismo enlouquece e fica-se com a sensação de estar permanentemente "do avesso".
Ainda tenho horas para esperar até por os pés no hotel e poder tomar um bom banho (o último foi sexta-feira). I'll keep posting.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Mais um continente

Ásia. Extremo Oriente. Não sei dizer por quê, mas nunca me senti atraído por aquelas partes do mundo. Pelo menos nunca me vi planejando uma viagem para qualquer país asiático. A não ser o óbvio: adoraria conhecer Bali ou Bora Bora, ou qualquer daqueles lugares paradisíacos, onde pudesse passar umas semanas fazendo n-a-d-a.
Eis a oportunidade de ir para aquelas bandas se apresenta. Lá vou eu integrar uma missão que completará a modernização consular no Japão (uma equipe já fez Tóquio e Nagóia), passando por Hamamatsu e seguindo depois para Taipé. Nada me deixa muito animado com essa viagem. Longas horas de voo, longas horas em aeroportos, 11 horas de diferença, inverno por lá, multidões nas ruas (não sou muito fã de multidões) e culinária nem sempre palatável. Hamamatsu é uma cidade industrial. Já tentou obter informações turísticas na internet? Não consegui sequer encontrar hotéis no Booking.com. Pelo menos não como eu queria. A comunidade brasileira por lá gira em torno de 100.000, o que significa que o Consulado deve ter muuuuuuito trabalho. Consulado-Geral esse que, aliás, foi criado para aliviar o peso sobre o Consulado em Nagóia. Outra coisa que me desanima: chegar na tarde do domingo e ir trabalhar na manhã de segunda. Isso vai ser meio punk nos primeiros dias.
Mas, como não devemos deixar o ceticismo tomar conta, armar-me-ei de curiosidade e bom humor e deixarei rolar. Depois relato minhas primeiras impressões.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Sexta-feira 13. Você tem medo?

E aí? Você acredita? Abre e-mails com cuidado? Não deixa calçados virados? Não passa debaixo de escadas? Tem horror a gato preto? Calça sempre o pé direito do sapato primeiro?
Conte aí suas superstições e tenha uma ótima sexta-feira 13!