quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

São Francisco e a Pacific Coast Highway


A viagem que planejávamos há algum tempo, para São Francisco, Califórnia, finalmente aconteceu. Resolvemos não esperar que o dólar baixasse porque dada a situação no Brasil, isso parecia muito improvável. Viajamos com a COPA, via Panamá.
No aeroporto ainda, seguimos a dica de uma amiga e usamos um serviço de van que reúne passageiros por região de destino e sai bem conta. De lá até a área central gastamos US$ 15,00.
No hotel, depois de um entrevero com nosso cartão de crédito, que só se resolveria dias depois, conseguimos descansar um pouco.
Ficamos no Club Donatello, divisão do Donatello Hotel, que apesar de bom e bem localizado, não oferece café da manhã. Isso não chega a ser traumático, pois há muitas (e boas) opções na região, próximo à Union Square, mas falarei sobre isso mais adiante.
Um bom lugar para começar a conhecer a cidade é Chinatown, com suas lojinhas, restaurantes e lanternas vermelhas.


O portal de entrada foi doado há alguns anos por Taiwan. Acaba por ser meio decepcionante, mas é passagem obrigatória. Não deixe de entrar nas lojinhas e "assuntar" a quantidade de besteiras que se vende ali.

Nossa primeira refeição foi num restaurante chinês aqui, chamado Cathay. Por fora bela viola, por dentro...de cara, o cheiro ruim na recepção - uma mistura de velharias, umidade e outros odores que prefiro não tentar identificar - quase nos fez dar meia-volta. Mas havia várias mesas ocupadas então pensamos que não poderia ser tão ruim. Nosso garçom aparentemente não falava inglês. Ou simplesmente não falava. A sopa de milho e frango não tinha gosto, mas a carne com gengibre estava ótima. Desanimados com a primeira experiência e vencidos pelo cansaço, we called it a night.

O café da manhã do dia seguinte foi no ótimo Honey Honey, a 100 metros do hotel. Cardápio (variadíssimo) na parede, fila longa para o caixa. O proprietário, ou algum funcionário, vai indicando as mesas para aqueles que não vão pedir para viagem. Chegou e sentou? Logo vai ser convidado a "dessentar". Os pratos, mesmo um simples omelete, são bem servidos e sempre com opção de batatas sautée ou salada. Serve bons cafés e abre de manhã até dez da noite. Aliás, um parêntese aqui para dizer que não posso mais falar que americanos não sabem beber café. Ao que parece, estão aprendendo, pois tomamos cafés com bastante sabor, ainda que em quantidades faraônicas.


Da Union Square, uma praça que tem ao seu redor hotéis e lojas de luxo, pode-se tomar os ônibus turísticos hop-on/hop-off e também os famosos bondinhos, cuja parada final é próximo dali.



Dois quarteirões para baixo chega-se à Market Street, uma das principais artérias da cidade, esticando-se desde o Embarcadero até o bairro de Castro.
Compre um passe para transporte público logo de cara. Vale para ônibus, "street cars" (uma espécie de trolleybus), "cable cars" (os bondinhos) e metrô. Os bondinhos aceitam dinheiro, mas nunca dão troco. A passagem custa US$ 7,00. Apesar das ladeiras, muita gente utiliza bicicletas. Se estiver em boa forma, não tenha dúvidas e ande muito, aprecie a arquitetura e as muitas (lindas) vistas que se vê do topo das ladeiras.

Acima, a baía vista da famosa Lombard Street.
 Começamos como quase sempre fazemos, tomando um hop-on/hop-off para ter uma noção da cidade e começarmos a nos localizar. Há duas linhas principais e pode-se ainda cruzar a ponte Golden Gate e chegar a Sausalito, do outro lado da baía.
Depois de uma boa volta pela cidade, descemos no Embarcadero, próximo ao muito falado Pier 39. Se você não gosta de muvuca e armadilhas turísticas, fuja. Há bons restaurantes aqui, principalmente para quem gosta de frutos do mar. Mas...escolhemos mal ao optar por um mexicano e foi a pior refeição da viagem.
Daqui partem ferrys que fazem passeios pela baía, incluindo o passeio a Alcatraz.
Mas acho que a vista que as pessoas mais esperam ver nesta cidade, sem dúvida, é esta:


Esta é uma foto tirada no primeiro dia, ainda de cima do ônibus.
O trajeto cortou a cidade, passando pelo parque Golden Gate (que era um amontoado de dunas de areia), Haight-Ashbury, que já foi o centro da contra-cultura, mas que hoje abriga velhos hippies bem menos engajados e uma classe média-alta que nada tem a ver com a história do lugar. O bairro é hip e custa muito viver por ali. O Tenderloin, outrora de má fama, também vai mudando de cara com várias iniciativas para revivê-lo e, quiçá, mudar sua fama. Passamos esbarrando no Castro - mas voltamos lá para passar uma longa tarde - e no centro cívico, que acabamos por não explorar.

Primeiro dia e vamos encarar a principal armadilha turística da cidade: o Pier 39.


O lugar é meio Disneylândia. Mas tem bons restaurantes - apesar de termos escolhido o pior - onde se pode comer bons frutos do mar. Não há como negar o aspecto de "tourist trap" com muitas lojinhas vendendo bugigangas para turistas, diversões eletrônicas e outras atrações. A mais interessante delas são os leões marinhos que adotaram o Pier 39 e acabaram ganhando um lugar só deles.



A área conhecida como Embarcadero começa um pouco longe daqui, no fim (ou começo?) da Market Street. Por aqui circulam os street cars e ônibus. Aqui estão as docas comerciais, onde atracam transatlânticos, de onde saem ferrys para as travesssias do dia-a-dia e ainda os passeios turísticos.
Restaurantes abundam, lojas de gastronomia e tudo o mais que se imaginar. Na outra ponta fica Fisherman´s Wharf, com seus museus, restaurantes, e comércio intenso. Por aqui ficam também alguns navios antigos da marinha americana, como o SS Pampanito e o SS Jeremiah O´Brien. Um pouco à frente fica o Cannery, uma antiga fábrica de enlatados transformada em centro de compras.
Acabamos lamentavelmente por não visitar o Parque Estadual Fort Mason e o Museu Marítimo, próximos dali. Até mesmo o Palace of Fine Arts acabou ficando de fora. Ótimas desculpas para voltar.



Nesse primeiro dia rodamos bastante a cidade com o ônibus e tiramos as primeiras fotos de todos os lugares de destaque, sobre os quais tentarei falar um pouco mais adiante. Vamos lá:

Golden Gate Park

Haight-Ashbury

Exemplos do casario vitoriano

Prefeitura

Edifícios restaurados no Tenderloin

Chinatown
O restaurante no piso superior da Boudin Bakery & Café

Músico de rua. Sempre dê a gorjeta antes de apontar a câmera



Lombard Street

Kombosa de turismo descendo a Lombard Street

Vista do meio da Lombard Street
Camelamos muito nesse dia. O que se pode fazer? Isso é turismo. Mais pro fim do dia, resolvemos subir em direção à Union Square, partindo da Lombard Street. Fizemos uma parada estratégica na Praça Washington para um merecido descanso antes de encarar o resto do caminho para o hotel:


Na noite desse dia fomos a um local próximo ao portão de Chinatown, chamado E&O Kitchen & Bar. O restaurante é modernoso e com tendência oriental. Sentamos no balcão - a casa estava lotada àquela hora - pois por aqui come-se no balcão como nas mesas. Pedi de cara uma cerveja local - nem me pergunte a marca - e dividimos alguns pratos, todos muito bons.
E aí, cama que amanhã tem mais.

sexta-feira, 23 de junho de 2017

IBILCE: 60 anos da minha Alma Mater


Escrevi a crônica abaixo, a pedido da amiga Nilce, atual editora da revista Notícias Ibilce, por ocasião dos 60 anos do nosso querido Instituto:

      "Começou assim, num papo tranquilo, alguém lendo um livro sobre profissões x signos do horóscopo chinês: “olha só, pra você deu tradutor”. Eu sabia o que era, mas nem imaginava que existisse curso para isso. Pensei que talvez fosse uma boa, pois não tinha a menor ideia do que queria fazer depois do colegial. A hora de prestar vestibular e toda aquela história já se aproximavam, mas prestar para quê? Tinha uma vaga vontade de fazer propaganda e marketing. Tradução, é? E a ideia foi se firmando aos poucos. Grata surpresa ao descobrir que o curso mais próximo ficava em São José do Rio Preto, cidade onde tinha família, e em universidade estadual, para completar.
            O IBILCE me acolheu em 1988. Ao entrar pelos portões a fachada enchia os olhos. IBILCE e seus longos corredores, arcos e azulejos. Guardo lembranças muito agradáveis dos arcos internos do prédio principal, que abrigaria um convento, do coretinho na praça central, da camaradagem.  O curso avançou, o futuro cada vez mais incerto para mim. Tinha uma vontade de montar, de alguma forma, um escritório, e assim eu queria ver minha carreira começar. Os horizontes foram se abrindo graças aos professores, todos especiais, cada um a seu modo.
Diferente da maioria, não dividi casa ou apartamento com outros estudantes. Minha vida de república veio bem mais tarde. Morava do lado oposto da cidade e apenas uma linha de ônibus me levava direto para lá. Mas era muito difícil subir num coletivo em Rio Preto e não topar com algum ibilceano indo ou voltando da faculdade.
Nenhuma manhã estaria completa sem o pão na chapa e o toddy do seu Valter. Almoços não estariam completos sem a disputa para tocar sua fita predileta no som da cantina, ou a partida de sinuca de sobremesa. Aquele papo preguiçoso sob a sombra de alguma árvore antes das aulas vespertinas também fazia parte do cardápio. As manhãs geladas nos faziam por vezes mudar a aula para o pátio central, sob o sol. Os dias de calor, que em Rio Preto não são poucos, nos faziam desejar ter ar-condicionado.
Era muito bacana a confluência de gente de toda parte. Paulistas e paulistanos, evidentemente, eram maioria. E tinha gente humilde e tinha gente “de posses”. Aqueles que possuíam carro eram sempre procurados para aquela carona amiga.
Mas foi-se e acabou-se e veio a hora de caçar o que fazer. Um ano tentando algo aqui e ali – cheguei a tentar a vida de tradutor, mesmo – prestando um concurso ou outro, quando meu irmão me fala de um em Brasília, para o Ministério das Relações Exteriores. Pano rápido e me vejo na capital federal, em meu primeiro emprego, aguardando a chamada para a posse. Sim, passei. Estudei pouco para o concurso. Com algumas provas fortemente centradas em línguas, não tive dificuldades. Inglês, para todos, e segunda língua opcional. Escolhi espanhol, pois para mim não havia outra opção. Faltou pouco para que eu gabaritasse a prova. ¡Gracias, Rosita!
Dali para a primeira missão foi um pulo. Dois meses no Panamá, onde minhas mal-aproveitadas aulas de espanhol (culpa minha) me salvaram de novo. No ano seguinte desembarco em Riade, Arábia Saudita. Menos de dois anos depois, volto para lá removido, jargão ministerial para transferência. Aos poucos fui sentido a língua soltando. Eu não tinha segurança alguma com meu inglês por pura falta de prática, mas aos poucos fui relaxando, lendo, falando, me virando. Lembrava-me constantemente das aulas de linguística – alô, Eli! – em conversas com árabes, jordanianos, paquistaneses, eritreios...Descobríamos juntos a proximidade das línguas árabe e portuguesa no bate-papo do dia-a-dia e as explicações para as origens de muitas palavras.
Viajei. Casei. E a vida profissional me carregou para os Países Baixos. Muitas descobertas linguísticas e experiências variadas depois, a volta para o Brasil.

Eu achava que minha formação teria pouco uso em minha vida profissional, na forma como ela se desenhou. No entanto, o que aprendemos na vida escolar é absorvido de tal forma que nem nos damos conta das vezes em que somos salvos por uma aula escondida nos cantinhos da memória. Surpreendo-me até hoje com os flashbacks das aulas no meu cotidiano, no trabalho ou fora dele. Vez por outra, ao tentar me lembrar de uma palavra ou expressão, me vejo na sala numa aula do João Carlos, do Álvaro, da Rosinha, do Eli ou do Rogério. Isso desperta em mim um profundo sentimento de gratidão. Não fui o melhor dos alunos, sei disso melhor do que ninguém, mas que meus mestres não se enganem: aprendi muito. Mesmo. Então, ainda que o treinamento recebido no IBILCE não encontre uso prático tangível na minha vida profissional, sem ele estaria em maus lençóis. Acredito que muitos egressos dos cursos oferecidos pelo IBILCE nesses 60 anos de existência tenham passado por experiências semelhantes na vida. Registro aqui, então, minha gratidão ao corpo docente, aos queridos amigos que fiz naqueles quatro longínquos anos, à UNESP e ao memorável Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas de São José do Rio Preto. Que venham os próximos 60 anos."

(Publicado na edição de abril/2017 da Revista Notícias Ibilce)

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

2016

Entre tantas coisas sobre as quais escrever estou com vontade de escrever sobre nenhuma. Digo com sinceridade: tudo o que tem acontecido no mundo em 2016 me dá preguiça. Na verdade, não. O que me dá mais preguiça é a enxurrada de opiniões de especialistas de facebook, contra, a favor, neutras. Com todas, vem um caminhão de imbecilidades que nos deixa de queixo caído. Não gosto de polêmicas, assim, evito me envolver em discussões que não levarão a lugar algum. Na política brasileira, por exemplo, tenho amigos de todos os lados. Gente a quem considero muito, mas que tem opiniões bastante divergentes. De alguns consigo discordar abertamente, de outros, prefiro ficar na minha.
Não votei na Dilma, mas não concordei com a maneira como o impeachment foi conduzido. O governo dela estava insustentável, verdade, mas a alternativa até agora não foi melhor. Aliás, a alternativa lá atrás, na eleição, não era melhor, como todos sabemos. E o que muitos parecem não entender é que o problema maior é o Congresso, podre até os alicerces, aproveitou de todas as oportunidades para esculhambar ainda mais a situação toda, enquanto as "ruas" pediam "Fora, Dilma".  E sabemos que a renovação não virá, pois os mesmos coronéis conseguirão se reeleger. Paneleiros sumiram, os patriotas de camisa da CBF também. Até os bizarros pró-militarismo deram uma sumida.
A Lava-Jato é uma operação inédita em seu escopo e alcance, mas arbitrariedades não deveriam ser admissíveis. Pior é a enxurrada de denúncias contra outros setores da política, que parecem simplesmente ignoradas.
Racismo, terrorismo, pedantismo, ignorância, tragédias, incompetência, soberba, desdém, teve de tudo este ano e em demasia.
Então digo, chega, né? Boas festas e que 2017 não seja tão ruim e venha com alguma luz no fim do túnel. Ou será melhor desejar que o túnel não seja tão longo?

sexta-feira, 6 de maio de 2016

San Andrés: Season Finale

Depois do almoço seguimos até Rocky Cay, de onde se avista esse navio encalhado. É possível chegar bem perto, caminhando sobre os corais.





Não se chega no navio mesmo, o que é proibido, mas em volta da ilhota há ótimos pontos para snorkelling. O mar estava bem batido, mas ainda assim alguns corajosos tentaram o mergulho.



Esta praia revelou-se democrática, com ótima estrutura, muita animação. A água mais próximo da areia estava bem suja, resultado da ventania dos dias anteriores. Neste horário o vento até deu um tempinho e pudemos curtir a praia.



Este ponto da praia ficava bem defronte ao nosso hotel, abaixo.


Zapatitos para andar sobre corais e pedras


Partindo do hotel em que nossos amigos estavam hospedados partimos para o passeio ao Aquário.




A profundidade da água por aqui parte de pouco menos de um metro, áreas em que a água é bem clarinha.

De uma ilhota a outra pela água.

Visibilidade atrapalhada pelo mar muito batido.


Escondendo a barriga.





Os dias de vento forte fizeram a alegria dessa turma aí.

Os desavisados acabam assim.

Mangue.


Quase não conseguimos fazer o passeio à mais famosa das ilhas da região, Johnny Cay. Com o mar ainda bastante batido, embarcamos para a ilha de manhã. Desembarcar foi fácil, embarcar no fim do dia foi problemático. Se estiver na ilha e o mar estiver muito batido, certifique-se de que há um pier onde desembarcar, ainda que flutuante. Quando fomos, não tinha e achei uma falha grave. O passeio é agradável, apesar da quantidade de gente que desembarca ali. De alguma forma os bares e restaurantes mantém uma ordem no caos. Você chega e é recepcionado por um guia e encaminhado a uma barraca/bar/restaurante. Ali, escolhe o que quer almoçar e combina o horário. Na hora marcada, ou quase, seu almoço é servido. 

Catch of the day: red snapper and sea bass (I think).






Depois de sacolejar no mar, tranquilidade na piscina


César, Marília, Bia e eu.


São Francisco e a Pacific Coast Highway

A viagem que planejávamos há algum tempo, para São Francisco, Califórnia, finalmente aconteceu. Resolvemos não esperar que o dólar baix...