sexta-feira, 23 de junho de 2017

IBILCE: 60 anos da minha Alma Mater


Escrevi a crônica abaixo, a pedido da amiga Nilce, atual editora da revista Notícias Ibilce, por ocasião dos 60 anos do nosso querido Instituto:

      "Começou assim, num papo tranquilo, alguém lendo um livro sobre profissões x signos do horóscopo chinês: “olha só, pra você deu tradutor”. Eu sabia o que era, mas nem imaginava que existisse curso para isso. Pensei que talvez fosse uma boa, pois não tinha a menor ideia do que queria fazer depois do colegial. A hora de prestar vestibular e toda aquela história já se aproximavam, mas prestar para quê? Tinha uma vaga vontade de fazer propaganda e marketing. Tradução, é? E a ideia foi se firmando aos poucos. Grata surpresa ao descobrir que o curso mais próximo ficava em São José do Rio Preto, cidade onde tinha família, e em universidade estadual, para completar.
            O IBILCE me acolheu em 1988. Ao entrar pelos portões a fachada enchia os olhos. IBILCE e seus longos corredores, arcos e azulejos. Guardo lembranças muito agradáveis dos arcos internos do prédio principal, que abrigaria um convento, do coretinho na praça central, da camaradagem.  O curso avançou, o futuro cada vez mais incerto para mim. Tinha uma vontade de montar, de alguma forma, um escritório, e assim eu queria ver minha carreira começar. Os horizontes foram se abrindo graças aos professores, todos especiais, cada um a seu modo.
Diferente da maioria, não dividi casa ou apartamento com outros estudantes. Minha vida de república veio bem mais tarde. Morava do lado oposto da cidade e apenas uma linha de ônibus me levava direto para lá. Mas era muito difícil subir num coletivo em Rio Preto e não topar com algum ibilceano indo ou voltando da faculdade.
Nenhuma manhã estaria completa sem o pão na chapa e o toddy do seu Valter. Almoços não estariam completos sem a disputa para tocar sua fita predileta no som da cantina, ou a partida de sinuca de sobremesa. Aquele papo preguiçoso sob a sombra de alguma árvore antes das aulas vespertinas também fazia parte do cardápio. As manhãs geladas nos faziam por vezes mudar a aula para o pátio central, sob o sol. Os dias de calor, que em Rio Preto não são poucos, nos faziam desejar ter ar-condicionado.
Era muito bacana a confluência de gente de toda parte. Paulistas e paulistanos, evidentemente, eram maioria. E tinha gente humilde e tinha gente “de posses”. Aqueles que possuíam carro eram sempre procurados para aquela carona amiga.
Mas foi-se e acabou-se e veio a hora de caçar o que fazer. Um ano tentando algo aqui e ali – cheguei a tentar a vida de tradutor, mesmo – prestando um concurso ou outro, quando meu irmão me fala de um em Brasília, para o Ministério das Relações Exteriores. Pano rápido e me vejo na capital federal, em meu primeiro emprego, aguardando a chamada para a posse. Sim, passei. Estudei pouco para o concurso. Com algumas provas fortemente centradas em línguas, não tive dificuldades. Inglês, para todos, e segunda língua opcional. Escolhi espanhol, pois para mim não havia outra opção. Faltou pouco para que eu gabaritasse a prova. ¡Gracias, Rosita!
Dali para a primeira missão foi um pulo. Dois meses no Panamá, onde minhas mal-aproveitadas aulas de espanhol (culpa minha) me salvaram de novo. No ano seguinte desembarco em Riade, Arábia Saudita. Menos de dois anos depois, volto para lá removido, jargão ministerial para transferência. Aos poucos fui sentido a língua soltando. Eu não tinha segurança alguma com meu inglês por pura falta de prática, mas aos poucos fui relaxando, lendo, falando, me virando. Lembrava-me constantemente das aulas de linguística – alô, Eli! – em conversas com árabes, jordanianos, paquistaneses, eritreios...Descobríamos juntos a proximidade das línguas árabe e portuguesa no bate-papo do dia-a-dia e as explicações para as origens de muitas palavras.
Viajei. Casei. E a vida profissional me carregou para os Países Baixos. Muitas descobertas linguísticas e experiências variadas depois, a volta para o Brasil.

Eu achava que minha formação teria pouco uso em minha vida profissional, na forma como ela se desenhou. No entanto, o que aprendemos na vida escolar é absorvido de tal forma que nem nos damos conta das vezes em que somos salvos por uma aula escondida nos cantinhos da memória. Surpreendo-me até hoje com os flashbacks das aulas no meu cotidiano, no trabalho ou fora dele. Vez por outra, ao tentar me lembrar de uma palavra ou expressão, me vejo na sala numa aula do João Carlos, do Álvaro, da Rosinha, do Eli ou do Rogério. Isso desperta em mim um profundo sentimento de gratidão. Não fui o melhor dos alunos, sei disso melhor do que ninguém, mas que meus mestres não se enganem: aprendi muito. Mesmo. Então, ainda que o treinamento recebido no IBILCE não encontre uso prático tangível na minha vida profissional, sem ele estaria em maus lençóis. Acredito que muitos egressos dos cursos oferecidos pelo IBILCE nesses 60 anos de existência tenham passado por experiências semelhantes na vida. Registro aqui, então, minha gratidão ao corpo docente, aos queridos amigos que fiz naqueles quatro longínquos anos, à UNESP e ao memorável Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas de São José do Rio Preto. Que venham os próximos 60 anos."

(Publicado na edição de abril/2017 da Revista Notícias Ibilce)

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

2016

Entre tantas coisas sobre as quais escrever estou com vontade de escrever sobre nenhuma. Digo com sinceridade: tudo o que tem acontecido no mundo em 2016 me dá preguiça. Na verdade, não. O que me dá mais preguiça é a enxurrada de opiniões de especialistas de facebook, contra, a favor, neutras. Com todas, vem um caminhão de imbecilidades que nos deixa de queixo caído. Não gosto de polêmicas, assim, evito me envolver em discussões que não levarão a lugar algum. Na política brasileira, por exemplo, tenho amigos de todos os lados. Gente a quem considero muito, mas que tem opiniões bastante divergentes. De alguns consigo discordar abertamente, de outros, prefiro ficar na minha.
Não votei na Dilma, mas não concordei com a maneira como o impeachment foi conduzido. O governo dela estava insustentável, verdade, mas a alternativa até agora não foi melhor. Aliás, a alternativa lá atrás, na eleição, não era melhor, como todos sabemos. E o que muitos parecem não entender é que o problema maior é o Congresso, podre até os alicerces, aproveitou de todas as oportunidades para esculhambar ainda mais a situação toda, enquanto as "ruas" pediam "Fora, Dilma".  E sabemos que a renovação não virá, pois os mesmos coronéis conseguirão se reeleger. Paneleiros sumiram, os patriotas de camisa da CBF também. Até os bizarros pró-militarismo deram uma sumida.
A Lava-Jato é uma operação inédita em seu escopo e alcance, mas arbitrariedades não deveriam ser admissíveis. Pior é a enxurrada de denúncias contra outros setores da política, que parecem simplesmente ignoradas.
Racismo, terrorismo, pedantismo, ignorância, tragédias, incompetência, soberba, desdém, teve de tudo este ano e em demasia.
Então digo, chega, né? Boas festas e que 2017 não seja tão ruim e venha com alguma luz no fim do túnel. Ou será melhor desejar que o túnel não seja tão longo?

sexta-feira, 6 de maio de 2016

San Andrés: Season Finale

Depois do almoço seguimos até Rocky Cay, de onde se avista esse navio encalhado. É possível chegar bem perto, caminhando sobre os corais.





Não se chega no navio mesmo, o que é proibido, mas em volta da ilhota há ótimos pontos para snorkelling. O mar estava bem batido, mas ainda assim alguns corajosos tentaram o mergulho.



Esta praia revelou-se democrática, com ótima estrutura, muita animação. A água mais próximo da areia estava bem suja, resultado da ventania dos dias anteriores. Neste horário o vento até deu um tempinho e pudemos curtir a praia.



Este ponto da praia ficava bem defronte ao nosso hotel, abaixo.


Zapatitos para andar sobre corais e pedras


Partindo do hotel em que nossos amigos estavam hospedados partimos para o passeio ao Aquário.




A profundidade da água por aqui parte de pouco menos de um metro, áreas em que a água é bem clarinha.

De uma ilhota a outra pela água.

Visibilidade atrapalhada pelo mar muito batido.


Escondendo a barriga.





Os dias de vento forte fizeram a alegria dessa turma aí.

Os desavisados acabam assim.

Mangue.


Quase não conseguimos fazer o passeio à mais famosa das ilhas da região, Johnny Cay. Com o mar ainda bastante batido, embarcamos para a ilha de manhã. Desembarcar foi fácil, embarcar no fim do dia foi problemático. Se estiver na ilha e o mar estiver muito batido, certifique-se de que há um pier onde desembarcar, ainda que flutuante. Quando fomos, não tinha e achei uma falha grave. O passeio é agradável, apesar da quantidade de gente que desembarca ali. De alguma forma os bares e restaurantes mantém uma ordem no caos. Você chega e é recepcionado por um guia e encaminhado a uma barraca/bar/restaurante. Ali, escolhe o que quer almoçar e combina o horário. Na hora marcada, ou quase, seu almoço é servido. 

Catch of the day: red snapper and sea bass (I think).






Depois de sacolejar no mar, tranquilidade na piscina


César, Marília, Bia e eu.


segunda-feira, 21 de março de 2016

San Andrés e o mar de sete cores - pt. 1

Já sei, já sei, faz tempo que eu não escrevo e blá, blá, blá. Tenho poucos mais fieis leitores, sei disso, e vocês sabem quem são.
Depois dos longos três meses de Haiti, outros dois e pouco de trabalho com apenas uma semaninha de recesso no meio, férias.
Das mais recentes, estas deram um trabalhão. Mas o trabalho foi para escolher para onde iríamos. São Francisco, Nova York, Canadá, Bahia, Curaçao. São tantas opções. Comemoraríamos nossos 15 anos juntos então tinha que ser legal. Eu lá no Haiti e a minha adorada aqui no Brasil, quebrando a cabeça. Depois de idas e vindas decidimos: uma semana em San Andrés, ilha no Caribe do ladinho da Nicarágua, mas território colombiano e uns 4 dias em Ouro Preto, na volta.
Começamos a pesquisa, escolhendo hoteis e voos. No meio desse processo, um casal de amigos muito querido resolveu viajar conosco. O hotel que tínhamos escolhido,  o Casablanca, era um tanto mais caro, ficaria pesado para eles. Muito bem avaliado no Trip Advisor e bem localizado, era nossa opção primordial. Conversamos e decidimos que, como nada fica muito distante de coisa alguma na ilha, cada um ficaria onde mais lhe aprouvesse. Passagens aéreas, bem, não tinha muita opção. Voamos Copa, via Panamá.
Na ida o primeiro problema. No aeroporto de Brasília houve um atraso inexplicável de 1h15, tempo exato da nossa conexão no Panamá. Que perdemos, obviamente. A Copa, no entanto, deu uma demonstração de profissionalismo que serve de exemplo para muita companhia aérea por aí. O pessoal de terra no Panamá, ciente do problema, tratou de resolvê-lo antes mesmo do voo chegar. Quando pusemos o pé no terminal, funcionários da empresa separaram os passageiros por conexão e lhes entregaram bilhetes de passagem para conexões em outros voos. No nosso caso, em vez de nos colocarem em hotel, nos mandaram para Bogotá, de onde tomaríamos outro voo para San Andrés. Em princípio houve uma certa irritação, afinal, o correto é nos colocarem em hotel até o próximo voo. Só que a Copa voa para San Andrés uma única vez ao dia. Assim, em vez de nos fazer perder um dia inteiro, perdemos apenas a tarde e a noite daquele dia, pois chegamos em San Andrés às dez da noite, quando teríamos que ter chegado ao meio-dia. Ainda assim, das perdas a menor. Chegamos muito cansados e o vento que fazia em San Andrés nos surpreendeu. Ventava muito e até os locais pareciam espantados.
Não pensamos demais. Cada um pro seu hotel e cama. Amanhã veremos o que fazer.


San Andrés é a maior ilha do arquipélago de San Andrés, Providencia e Santa Catalina, com um total de 26km².

O primeiro dia amanheceu com muito vento. O que apurei foi que uma massa de ar frio vinda dos Estados Unidos bagunçou o coreto em boa parte do Caribe. Apesar do vento forte, as temperaturas estavam agradáveis e a água do mar, descobrimos depois, continuou tépida. Não fizemos compromisso nenhum nesse dia, além de explorar um pouco a cidade, dar uma assuntada no comércio, sentar pra comer e beber. E só.
Arroz tres quesos con camarones, do PeruWok
Os passeios próximos, Aquário (Rose Cay) e Sucre (Johnny Cay), estavam fechados devido ao mau tempo. Cayo Bolivar foi fechada para visitas permanentemente por causa dos danos que o turismo desenfreado vinha causando.


No segundo dia alugamos um ATV e fomos dar a volta à ilha. Ventava muito e garoava no começo da manhã.
video


No caminho em torno da ilha muitas paradas para fotos, mas infelizmente nenhuma para banho. Locais como a piscinita estavam fechados por causa da "brabeza" do mar. Bem lá adiante conseguimos um local bacana para um banho rápido.



No caminho, o Hoyo Soplador. Belíssima armadilha turística. O mar cavou uma tubulação na pedra e, à medida em que as ondas batem, uma rajada de água sai pelo buraco. Não dá para saber sempre quando vai soprar forte, isso é para quem sabe contar ondas e estudar marés. Assim, perdi as melhores fotos.

O primeiro mergulho, não pudemos resistir, foi neste ponto da ilha. Ainda ventava muito e o local era um tanto ermo, sem árvores ou estrutura. Mesmo assim, difícil resistir à água cristalina.




Almoço logo depois no "Donde Francesca", com uma vista fantástica do mar. A comida, espetacular. Não resisti e fui de lagosta a R$ 90,00.